By: Your Soul

Outras Almas & Carinhos Recebidos

on-line



10/29/2003

10:08 AM


Uma águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho.

Seu coração se acelerou com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.

Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair?, pensou ela.

O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso.

Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.

E, se justamente agora, isto não funcionar?, ela pensou.

Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento.

Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final: o empurrão.

A águia encheu-se de coragem.

Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida.

Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.

O empurrão era o melhor presente que ela podia oferecer-lhes.

Era seu supremo ato de amor.

Então, um a um, ela os precipitou para o abismo.

E eles voaram!

Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.

São elas que nos empurram para o abismo.

E quem sabe não são elas, as própria circunstâncias, que nos fazem descobrir
que temos asas para voar.



Carinhosamente,

| Outro P.S.:


10/16/2003

9:53 AM
pregadores.jpg

Colocar um pregador em cada coisa que não posso esquecer!


Não posso esquecer de estar em paz.

Não posso esquecer da minha saúde.

Não posso esquecer da minha paixão.

Não posso esquecer da minha iluminada lucidez.

Carinhosamente,

| Outro P.S.:


10/6/2003

7:56 AM
Certa vez... encontrei uma costureira bem velhinha, a pedalar sua costura...

nhen nhen nhen...cantava sua velha máquina.

Sorriso complascente, deixando mostrar os dentes e um ar de sabedoria.

Sentei-me em sua soleira, e por ali me deixei ficar, bem quietinha a me embalar, só ouvindo o seu chiar.

nhem nhen nhen...

Deixei-me pelo som levar, e me pus a relembrar, momentos que em mim marcaram e que não consigo da memória apagar.

O tempo foi passando, sua máquina velha cantando, quando ela se deu conta de mim.

Olhou-me por cima dos óculos, ajeitou os cabelos no coque, empertigou a coluna com jeito e perguntou-me assim:

-O que desejas menina, em que posso te ajudar?

Pensei, pensei, pensei...

-Senhora, tens como costurar um coração dilacerado? Cansado de verdade?

-Depende de quais linhas vá precisar!

-Preciso tapar os buracos em minha alma, meu peito dói demais. Não quero mais acreditar tanto nas pessoas. Ando cansada de esperar por coisas que nunca acontecem. Creio que minha cabeça também anda cheia de falhas, pois reflito e não concretizo as palavras, sobra perdão e falta reação, a emoção toma conta de tudo e bate de frente com a realidade.

Meus olhos andam difusos, só enxergo o que desejo, talvez num pedido de socorro mudo, para que o que vejo mude!

Minha boca se cala quando deveria muito falar, minhas mãos trabalham quando deveriam cobrar, meus pés se paralizam quando deveriam outros caminhos buscar.

-Calma minha menina, vamos consertar devagar.

Mexendo em sua caixinha, reboliçando as linhas, ela se pos a detalhar...

-Aqui tenho paixão, perdão, emoção, mas acho que já tem por aí.

Hummmm, talvez um pouco de razão, realização e visão do futuro.

Ah....tem alguma coisa bem no fundo aqui! Vamos ver...hum isso pode ser interessante, olhe!

- Uma linha colorida? Parece um arco-íris!

-Isso minha menina, vou reparar teus desacertos com essa linha colorida, para que tenhas um pouquinho de todas as paixões em cada cantinho do teu ser.

Mas tem que ser o mesmo tanto para cada remendo, para que tenham o mesmo peso na hora em que fores usar.

Vem, te senta mais perto, vou me por a trabalhar.

Sentei-me ao lado da senhora e de mansinho me pus a chorar. Um choro doído, magoado, cansado de tanto esperar.

E assim me deixei ficar, ao som do pedal a cantar...

nhen nhen nhen...esperando a boa senhora, minha alma consertar.

Carinhosamente,

| Outro P.S.:




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